Espectros

Olho pro fundo da xícara de café e vejo o reflexo dos meus olhos que já não vêem o sol nascer. Pupilas dilatadas, íris cinza para combinar com as correntes que pesam os meus braços e me levam ao chão. Na próxima queda, eu juro, fingirei-me de morta.

Aqui há vento, uma ponta de alegria alfineta-me de leve. Fecho os olhos para senti-lo em meu rosto, mas o que sinto são os cascalhos que um sopro infesto trás. Quem zomba de mim? quem veria graça em embaçar visões, arranhar meu rosto, escondendo a face, perturbando quem já se encontra preso ao meio-dia. Tanto pra viver… o sol está lindo lá fora, Joana ainda brinca de amarelinha.

Ah, Joana, tanto me inspira. Sentada aí fora quase todos os dias, com sua alma de criança e seu coração transbordando de esperança. Não deixa esvaziar, Joana, não deixa. Tampe as bordas, faça malabarismo.

De repente não vejo mais Joana lá longe. Sou Joana, acalento Joana, boto-a no colo. Quem me dera proteger Joana de todos os males. Quem me dera evitar a Joana vazia, olhando a si mesma na xícara de café frio. Quem me dera evitar a Joana amarrada, amordaçada, de joelhos na calçada da cidade.

Depois da breve confusão, volto a ver Joana. Ela chega ao céu e satisfeita se aproxima de mim com passos pequenos. “Eu trouxe a chave” disse a Joana de quem eu já havia me esquecido, a qual a tempos não ouvia. “Mas o mundo é perigoso” disse a Joana que treme e chora, que se ajoelhará na calçada e beberá café frio. Eu pego a chave, indecisa. Joana sorri e solta uma pedrinha, desviando de leve o olhar para o baque: - Vamos jogar amarelinha?

Louise J.

(Source: serpoesia)


(Source: weaslette)

Eu nem sei aonde dói. Mas sei que teu sorriso cura.
@brucifer_
Dos meus defeitos, o maior é te amar.
@shutupbruna

(Source: rubyredwisp)

Os dias eram mais bonitos quando tua voz me acordava logo cedo, rapaz, e eu era mais feliz. Foi só pra mim que as risadas deixaram a saudade?

Prefiro acreditar que não - acreditar que você, assim como eu, também sente.
Sente a falta. 

A nossa falta, a falta das graças à nenhum custo, da escova encima da pia, das camisas jogadas pelo chão, do café que sempre esfriava antes de bebermos - ou queimava nossas línguas. Só existe o silêncio agora, silêncio esse largado aqui pelos teus gritos. Não consigo mais ser indiferente ao vazio que deixaste. Não posso.

Você pode? Pode ignorar o passado, e viver como se nada tivesse ocorrido?
Pode me ignorar?
Nos ignorar?

Se sim, te deixo seguir em paz…
Algo ainda berra aqui dentro dizendo que é melhor deixar assim. Deixar ser.

Bruna de Fátima

Ainda associam seu nome a cada lágrima que derramo… Será que te pertenço tanto assim?
Bruna de Fátima
— Apenas lembre de uma coisa, Gaston — Dieter disse em tom agradável. — A dor dura o tempo que você quiser. Quando resolver acabar com ela, ela acaba.
JackDaws - Agentes EspeciaisKen Follett.

(Source: theunsinkableship)